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Em terras estranhas:
Longe de casa e O solo selado

 


 

IMS PAULISTA
 
16/06/2026 (terça)
18h
O solo selado
+ apresentação de Eliane Arakaki
20h
Longe de casa
 
27/06/2026 (sábado)
16h
Longe de casa
20h
O solo selado

 
Mas, antes que o homem aceite o mundo sagrado – para que seja capaz de aceitá-lo – ou antes que escape dele – para que seja capaz de se escapar –, há sempre um período de busca interior e revolta.
 
- Do livro-ensaio O homem revoltado (L’Homme revolte, 1951), citado no início do filme O solo selado, de Marva Nabili
 
Não queria fazer mais um filme sobre trabalhadores imigrantes, mas sim um filme sobre a palavra “miséria”, que originalmente significava “viver em outro país” e depois passou a ser “longe de casa”, e começou a soar cada vez pior.
 
- Texto assinado pelo cineasta Sohrab Shahid-Saless que aparece na abertura do filme Longe de casa.

 
Em meados dos anos 1960, durante a ditadura do xá Mohammad Reza Pahlavi, surgiu no Irã uma nova geração de cineastas que se contrapôs à indústria do cinema local, voltada à produção de filmes comerciais de gênero e baseados principalmente nas comédias musicais de Bollywood, conhecidos popularmente como filmfarsi. Muitos dos cineastas estudaram fora do Irã e, em sua busca para retratar as paisagens persas e a vida simples de seu povo no campo e na cidade, tomaram como inspiração as novas ondas do cinema mundial que procuravam examinar a realidade com um olhar ao mesmo tempo incisivo e fraturado, como a Nouvelle Vague francesa, o neorrealismo italiano, o cinema paralelo indiano e a Nuberu Bagu no Japão. As origens da Nova Onda Iraniana estão em documentários socialmente engajados, como A casa é escura (Khaneh siah ast, 1962), de Forough Farrokhzad, Teerã é a capital do Irã (Tehran, payetakht-e Iran ast, 1966), de Kamran Shirdel, e Mas surgiram problemas (Vali oftad moshkelha, 1965), de Hajir Darioush, e longas de ficção densos e alegóricos como Tijolo e espelho (Khesht o Ayeneh, 1964), de Ebrahim Golestan, e A vaca (Gaav, 1969), de Dariush Mehrjui, cuja premiação no Festival de Veneza em 1971 foi tida como um anúncio do movimento para o mundo. Na década de 1970, diversos filmes foram realizados por cineastas iranianos que moravam fora do Irã e que mantinham uma relação dividida com o país. Foi nesse meio que os diretores Marva Nabili e Sohrab Shahid-Saless deram início às suas obras.
 
Marva Nabili nasceu em 1941 em Teerã, em uma família da Fé Bahá'í com tendências liberais, e foi criada por sua mãe viúva após a morte precoce de seu pai. Ela estudou pintura na Universidade de Teerã e entrou no cinema graças ao seu professor, Fereydoun Rahnema, que elogiou as pinturas dela por suas qualidades narrativas. Rahnema tinha feito um curta-metragem documental, que logo transformou em um longa de ficção com Nabili como a atriz principal e assistente de direção. Siavash em Persépolis (Siyavosh dar takht-e Jamshid, 1965) toma como ponto de partida a lenda de Siavash – pertencente ao longo poema épico persa do século X Xanamé [Livro dos reis] –, na qual um jovem príncipe, ao se recusar a se envolver amorosamente com sua madrasta e trair seu pai, é exilado e morto. O filme foi rodado nas ruínas da antiga cidade imperial de Persépolis e utiliza uma linguagem moderna e experimental, ao colocar em contato os personagens teatrais do épico com figuras corriqueiras do presente, como turistas e a própria equipe de filmagem.
 
Rahnema morreu jovem, em 1975, após fazer apenas mais um longa-metragem. Porém, sua influência sobre diversos cineastas iranianos foi grande, inclusive sobre Nabili, que acabou dedicando a ele seu longa-metragem de estreia. As experiências com Rahnema inspiraram Nabili a estudar e trabalhar com cinema, primeiro em Londres e depois em Nova York (onde ela se instalou de forma definitiva), em um momento em que a história do cinema iraniano contava com apenas um longa-metragem dirigido por uma mulher (o agora perdido filmfarsi Marjan, dirigido pela também atriz Shahla Riahi em 1956). Isso mudou quando Nabili voltou para o Irã, em 1976, para fazer seu filme de conclusão de curso, o longa-metragem O solo selado (Khake sar beh mohr, 1977).
 
O filme foi rodado com a população do vilarejo Ghalleh Noo-Asgar, localizado no sudeste iraniano e perto da cidade onde a irmã de Nabili trabalhou como professora infantil. A história se baseou em uma situação ocorrida no vilarejo, na qual uma garota de 15 anos foi ostracizada por recusar um casamento forçado. O elenco foi integralmente composto por não profissionais da região, com exceção da atriz principal, Flora Shabaviz, uma mulher urbana que também precisou conviver no local para absorver o comportamento e os trejeitos das mulheres da aldeia. Ela interpreta a adolescente silenciosa Rooy-Bekheir, que provoca uma crise em sua família ao rejeitar propostas de casamento por motivos não expressados.
 
Para realizar o filme, Nabili tomou como suas principais referências estéticas a arte de miniaturas persas clássicas, a obra e o pensamento do dramaturgo alemão Bertolt Brecht e o cinema do diretor francês Robert Bresson. Em meio a belas paisagens rurais e construções rudimentares em barro, quase sempre filmadas à distância, a diretora traz suas referências europeias de forma sutil e contínua. Por exemplo, com apontamentos francos sobre a futilidade do comportamento consumista, típicos das peças de Brecht, quando Rooy-Bekheir critica sua irmã mais nova – que estuda na cidade recém-construída próxima ao vilarejo e possui um comportamento mais urbanizado – por querer lavar o cabelo todos os dias e ter vários vestidos. Ou quando o chefe do vilarejo, que já não morava mais no local, retorna para tentar convencer a população a se mudar para a cidade, mesmo implicando em um alto custo para os moradores, tanto financeiro quanto de perda da autonomia alimentar, pois na cidade não poderiam mais criar animais e plantar, tendo que depender da indústria agrícola local para seu sustento.
 
Em contraponto, a presença bressoniana se manifesta no filme com a crescente alienação de Rooy-Bekheir, que vive entre duas realidades: a das tradições da comunidade e do papel da mulher nesse contexto – que deve viver uma vida restrita ao ambiente doméstico e submissa ao homem da casa –, e a da modernização, do ambiente urbano que anula os aspectos mais essenciais da vida ancestral. Nabili alude a diversos filmes de Bresson que tratam do aprisionamento (físico e espiritual), e especialmente ao seu filme Mouchette, a virgem possuída (Mouchette, 1967) em uma cena sensual em que a adolescente iraniana, descansando em um matagal perto do vilarejo, se despe parcialmente durante um temporal. Remetendo à cena final do filme francês, a jovem sofre um colapso mental e se atraca com as galinhas e com o vestido que deve usar para receber seu pretendente. A solução da família de Rooy-Bekheir é procurar um exorcista.
 
Para conseguir financiar O solo selado, Nabili trabalhou em uma série para a televisão iraniana de contos antigos para crianças, que teve como um de seus produtores Barbod Taheri, um grande cinegrafista iraniano (e marido de Flora Shabaviz, também atriz na série) que também produziu filmes de cineastas importantes da Nova Onda Iraniana como Amir Naderi e Bahram Beyzai.. Mesmo assim, Nabili sabia que o conteúdo do seu filme seria proibido no Irã, e então contrabandeou os negativos para os Estados Unidos, onde foi finalizado. O filme teve uma carreira bem-sucedida em festivais, e, nas entrevistas que ela deu sobre O solo selado, Nabili falou sobre seu desejo de contar uma história relevante para aqueles que participaram do filme, ao mesmo tempo que apontou para as dimensões autobiográficas da história de uma mulher suspensa entre mundos.
 
Sohrab Shahid-Saless, assim como Nabili, passou boa parte dos anos 1960 fora do Irã antes de retornar para registrar a vida de seu povo. Ele nasceu em 1944 em Qazvin, a noroeste de Teerã. Seu pai foi um funcionário público que viajava com frequência, e a família estava constantemente em mudança de uma cidade para outra no país. Sua mãe deixou a família quando Shahid-Saless ainda era criança, o que colaborou com o desenvolvimento de uma personalidade melancólica que frequentemente recorria ao cinema e à literatura para conforto. Aos 18 anos, se mudou para Paris para estudar cinema no prestigiado IDHEC (Institut des hautes études cinématographiques), porém logo precisou se mudar para Viena, onde o custo de vida era menor. Lá, aprendeu alemão e também estudou cinema, enquanto exercia trabalhos comumente associados a imigrantes, como limpeza e segurança. Após contrair tuberculose, ele voltou a Paris para se tratar, e lá conseguiu concluir seus estudos no Conservatoire Libre du Cinéma Français (CLCF). As experiências no exterior se tornaram uma importante referência para o primeiro filme que Shahid-Saless fez fora do Irã, uma coprodução alemã-iraniana chamada Longe de casa (Dar Ghorbat/In der Fremde, 1975).
 
Shahid-Saless começou a trabalhar com cinema no Irã fazendo curtas-metragens infantis no Instituto para o Desenvolvimento Intelectual de Crianças e Jovens Adultos, em Kanun (a mesma organização que deu origem às carreiras de Abbas Kiarostami e outros cineastas iranianos), e documentários sobre diferentes grupos étnicos e tradições regionais ao redor do país para o Ministério da Cultura. Foi durante uma viagem de trabalho para uma remota vila de pescadores no mar Cáspio que o cineasta encontrou a inspiração para fazer seu primeiro longa-metragem de ficção, Um evento simples (Yek ettefaq-e sade, 1973), no qual um garoto de 10 anos divide seus dias entre as rotinas da escola, os cuidados com sua mãe doente e as tarefas para seu pai, um alcoólatra envolvido em pesca ilegal. O desequilíbrio na vida do menino provocado pela morte da mãe delineia um tema que se mostrou caro ao cinema muitas vezes observacional de Shahid-Saless, ao tratar da perda da inocência frente à dura realidade do mundo. Esse tema também se manifestou, por exemplo, em um filme que o diretor realizou na Alemanha alguns anos depois, o trágico Tempo de amadurecimento (Reifezeit, 1976), no qual um garoto berlinense e sua mãe, uma profissional do sexo, tentam mutuamente ignorar a natureza do trabalho que sustenta a casa. Ambos os filmes abordam a infância de forma nada sentimental e mostram um o ingresso prematuro dos protagonistas na vida adulta.
 
Após Um evento simples, Shahid Saless realizou seu segundo e último longa-metragem filmado no Irã, na mesma região perto do mar Cáspio. Natureza morta (Tabi’at-e bijan, 1974) mostra, por meio de uma série de cenas silenciosas, o processo pelo qual um trabalhador ferroviário idoso e sua esposa são despejados de sua residência após ele receber a notícia por carta de sua aposentadoria forçada. Conforme o homem lamenta sua perda de forma incrédula e procura sua pensão com pessoas indiferentes, Natureza morta expõe o comportamento desumano do Estado e de seus burocratas, e, de forma mais ampla, da sociedade iraniana moderna. O destino do homem remete àquele do servo Firs em O jardim das cerejeiras (Vishnyovyi sad, 1904), a última peça de teatro escrita por Anton Tchekhov, o autor preferido de Shahid-Saless, que identificou ressonâncias tristes entre as épocas czaristas na Rússia e do xá no Irã.
 
Um evento simples e Natureza morta chegaram a ser considerados como obras fundamentais da Nova Onda Iraniana, e Natureza morta particularmente foi realizado dentro da égide do Grupo do Novo Cinema Iraniano, um coletivo de artistas cinematográficos que incluiu Shahid-Saless, Dariush Mehrjui e Parviz Sayyad, um cineasta e ator cômico muito conhecido da televisão iraniana que frequentemente abriu mão do seu salário ou até investiu diretamente em produções em que acreditava (por exemplo, produziu Natureza morta). A presença de ambos os filmes na edição de 1974 do Festival Internacional de Cinema de Berlim marcou a primeira vez em que um cineasta apresentou dois filmes no festival no mesmo ano, e Shahid-Saless saiu do evento com seis prêmios, inclusive o Urso de Prata da competição principal para Natureza morta. Porém, quando tentou realizar seu filme seguinte no Irã – uma história ambientada em um orfanato chamado Quarentena – a produção foi cancelada por agentes do governo do Xá devido a uma briga entre Shahid-Saless e o gerente do local. O cineasta percebeu que seria impossível realizar obras socialmente críticas em seu país, e então voltou para a Alemanha Ocidental.
 
O primeiro projeto alemão de Shahid-Saless foi Longe de casa, produzido e estrelado por Parviz Sayyad e que contou com contribuições de diversas pessoas alemãs e iranianas, como a corroterista com Shahid-Saless, Helga Houzer (sua companheira na época), e o cinegrafista Ramin Reza Molai (um iraniano já estabelecido em Berlim Ocidental). Ele deu para o filme o nome alemão de um conto de Tchekhov chamado “Em terras estrangeiras” (“Na chuzhbine”, 1885) e rodou principalmente em Kreuzberg, o bairro em Berlim Ocidental onde uma grande comunidade de imigrantes turcos havia se estabelecido. O filme resultante mistura ficção, documentário e autobiografia ao relatar a vida árdua e isolada dessa comunidade, que é submetida às regras vampirescas aplicadas aos estrangeiros com vistos temporários de trabalho – uma condição legal que Shahid-Saless conheceu bem, sendo ele mesmo um Gastarbeiter (literalmente, “trabalhador convidado”).
 
A ação minimalista de Longe de casa é conduzida por Husseyin, um operário turco da indústria metalúrgica que se desloca diariamente por trem entre Kreuzberg e a fábrica no distrito de Wedding para trabalhar de forma mecânica e silenciosa. Depois, ele volta para seu apartamento alugado, onde conversa com os outros habitantes (inclusive um jovem com quem ele divide o quarto) sobre seus sonhos de juntar dinheiro suficiente para se casar e comprar uma casa em sua terra natal. Assim como em seus filmes iranianos, Shahid-Saless explora a paisagem em Longe de casa com planos abertos, que delineiam a profunda solidão compartilhada entre os personagens. As ruas de Berlim Ocidental são retratadas ainda em estado decadente, algumas décadas após a Segunda Guerra Mundial, assim como o interior empobrecido dos apartamentos onde os imigrantes vivem em grupos, até com famílias inteiras em um mesmo imóvel.
 
Ao mesmo tempo, o cineasta começa a delinear as diferentes faces do temperamento atormentado, violento e, por outro lado, submisso da sociedade alemã contemporânea. Como a vizinha de Husseyin, uma senhora idosa que o convida para tomar um café e acaba se fechando nas lembranças descontroladamente amargas sobre o filho que se mudou para os Estados Unidos. Ou em um encontro ameaçador com um trabalhador alemão bêbado em um vagão do metrô, que exige que o imigrante volte para sua terra de origem. Essas tendências protagonizarão os longas-metragens de ficção subsequentes de Shahid-Saless, realizados na Alemanha e voltados mais exclusivamente aos cidadãos do país em diversos contextos de trabalho, como Ordem (Ordnung, 1980) e Utopia (1983), nos quais as formas secas e brutais das falas dos protagonistas alemães transmitem a impressão de um país que ainda vive sob a sombra de nazismo.
 
Apesar de exercer uma profissão “burguesa”, diferente da dos personagens de Longe de casa, Shahid-Saless compartilhava sua situação em diversas formas – por exemplo, a lei alemã o proibia de atuar como produtor dos seus filmes, obrigando-o a depender de produtores externos e enfrentar contratos abusivos. Mesmo assim, ele conseguiu fazer um total de 13 filmes (entre ficções e documentários, filmes para o cinema e para a televisão) ao longo das duas décadas que trabalhou na Alemanha. Shahid-Saless também morou e trabalhou por alguns anos na Checoslováquia na década de 1980 e se mudou para os Estados Unidos, onde morava seu irmão, em meados da década de 1990 para tratar uma doença crônica em seu fígado. Ele faleceu precocemente em Chicago em 1998, aos 54 anos. Não sobreviveu para ver a recuperação e restauração digital dos seus filmes alemães a partir de 2020, em uma tentativa de pesquisadores e preservacionistas de cinema de colocar sua produção subestimada no mesmo nível da dos outros gigantes do Novo Cinema Alemão. Sua reputação crítica, porém, nunca precisou ser reabilitada no Irã, onde seu nome foi dado a uma escola de cinema e onde ele é reverenciado até hoje por muitos cinéfilos e cineastas.
 
Nos quase 50 anos em que Marva Nabili morou nos Estados Unidos após a conclusão de O solo selado, ela conseguiu realizar apenas um filme (com uma bolsa do Instituto Sundance), um docudrama poético sobre famílias chinesas baseadas em Nova York, chamado Nightsongs (1982), que toma como base textos de jornais escritos por uma mulher chinesa-vietnamita e assim justapõe a vida interior de uma imigrante com sua bruta realidade. Ela trabalhou com o cinema de diversas outras formas, inclusive como montadora para produções comerciais, e, em 2024, conseguiu supervisionar a restauração digital do seu único filme iraniano, que até o momento não foi exibido de forma pública no país onde foi filmado. Nabili acompanhou as exibições da cópia restaurada de O solo selado em festivais na Europa e nos Estados Unidos e falou que viu no filme uma relevância continua para a sociedade iraniana, mais de 40 anos após a revolução que substituiu a ditadura do xá pelo regime do Aiatolá Khomeini. O solo selado foi tido por muitos como uma grande redescoberta.
 

A Sessão Mutual Films de junho de 2026 é dedicada às memórias dos artistas cinematográficos alemães Alexander Kluge (1932-2026) e Bert Schmidt (1950-2024) e dos artistas cinematográficos iranianos Bahram Beyzai (1938-2025), Dariush Mehrjui (1939-2023), Kobra Amin Saeedi (“Shahrzad”, 1950-2025), Nasser Taghvai (1941-2025) e Vahideh Mohammadifar (1969-2023).
 

 
SINOPSES
 
Em terras estranhas: Longe de casa e O solo selado
 

SUPLEMENTOS
 
“‘Meu público trabalha por si mesmo’: Uma entrevista com Marva Nabili”
 
“Entrevista com Behrang Samsami sobre Sohrab Shahid-Saless”
 
Interview with Behrang Samsami about Sohrab Shahid Saless

 
Web site IMS
Sessão Mutual Films - Informações e ingressos

 

 
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